* notas:
- O FARANI CINCO TRÊS surgiu através da oficina orientada pelo poeta Chacal, na Biblioteca de Botafogo. Parceria da SMC RJ. Iniciada em Abril de 2011.
- O Farani Cinco Tres participa do projeto FORA DE ÁREA, em parceria com a rede NORTE COMUM, e realização do SESC Rio! As oficinas de jogos poéticos do FORA DE ÁREA acontecem todas as quintas feiras, às 18h30. Na biblioteca do SESC TIJUCA. É de graça, é só chegar. Recomeça em abril de 2013. É só chegar!
- O próximo CEP20000 será na última semana do mês. No Espaço Sérgio Porto [Rua Humaitá, 163 / fundos – 2535 3846]. Sob a coordenação do poeta Chacal, poesia, música, cinema e muito mais. Só vendo, indo, vivendo. O FARANI CINCO TRES também está por lá!

- FARANIS livros!
#JOSE HENRIQUE CALAZANS relançou seu livro, em versão ampliada - com poemas novos: QUEM VAI LER ESSA MERDA? no Sarará, o sarau, que acontece no Spa Cultural PAz, no Catete, dia 12 de outubro - das crianças!
#ALICE SOUTO lançou seu fanzine POESIA AUTO-SUSTENTÁVEL, em versão bilingue, na FLIP2012 em Paraty.
#
FELIZPE FRUTOSE lançou seu FRUTA AFRODISIACA (amostra grátis) no dia 23 de março de 2012! lançamento virtual já com mais de 500 visualizações! PARABÉNS, FELIZPE! Para ler, CLIQue aQui!
#SILVIA CASTRO lançou o seu PRIMEIRO, em dezembro de 2011, também online. Quer ler? CliQue AQui!
#CESAR GOMES
lançou também o seu Livro 22, em novembro de 2011, que pode ser lido AQui!
#ANA SCHLIMOVICH também lançou o seu ANAFENIX, em dezembro de 2011! poemas e fotos de las anas: AqUi!


quarta-feira, 18 de maio de 2011

#trends








Calandre Black Out

A lua do meio dia
iluminava o quarto

Abriram-se as cortinas,
senhoras da noite sem fim.

O fio do tempo
no traço do delineador.

No espelho
corpo inteiro.
Meia calça,
chemisier.

No ar, o perfume, era o ultimo sinal.

toc... toc toc..toc
os saltos..
ultrapassando
o tapete,
abandonavam com cadência
meu palco de menina.

Melopéia Kodac no 1

Sina em 1983


Vem não vem?

Vou não vou?

Coração desejo e sina:

Vai.

Recai caetano caetaneando no palco

tudo mais pura rotina

Saradinho, rebolandinho

dá um cheirinho no amigo:

Tocarei seu nome pra poder falar de amor

Depois do Veloso dar um alô de revés

para um músico da vez de trás;

depois de Djavan djavanendo devaneios

Art Nuveau da natureza;

O baiano dá um abano baianeante

para alguém de fora da banda

enquanto o alagoano ali é puro alumbramento

Jazz

Sorrisos dançam sem siso

A luz do grande prazer é irremediável néon

Tocam gostosas as gargantas,

e seus gogós galantes garantem

o grito de prazer

que irá

açoitar o ar.

Então Gil na platéia, achando a sua graça, gilberta em aplausos —

Tudo é festa:

Reveillon!



As cores e o instante

Meu tema é o instante?
Talvez eu nunca tenha te dito
que escureço em música.

Ao escrever não posso me fabricar
como em uma pintura,
assim como se fabrica uma cor.
A desarmonia secreta das cores
são o luxo do meu silêncio;
e assim eu silencio,
de um modo que minha própria palavra
me contradiz.

Procuro a palavra última que,
assim como o primeiro passo,
é o último em direção ao intangível do real.

E se às vezes eu pinto palavras em cavernas
é para que elas se tornem a história do mundo.

Mas o instante acende e apaga,
como versos que surgem sem esforço
e sem motivo.

Nesta nova era das minhas palavras,
o que falo é todo o meu invento
concentrado em uma única confidência:

um astro que nomeia
a única forma de quantificar
tudo aquilo que é sentir
sem possuir.

Saudade

Toc Toc Toc
Cadê você?
Toc Toc Toc
O tempo levou...

Tatoo

O Tempo
Ceifa
O passar
Das horas

Travinha

Atirei limão maduro
Na janela do meu bem
Passou boi, passou boiada
Por que é que ele não vem?

terça-feira, 17 de maio de 2011

De passagem

Chego rápido
e estou
Sou intensa
cometa
que passa
mais fica
Não gosto
mas sou
Nada posso fazer
Quando vi
já fui...

Toada

Tempo
Tua boca, minha língua

Tempo
Meu ventre, tua coisa

Tempo
O Vôo solitário no entre

Tempo
O caminho livre por sobre os pelos

Tempo
Todo tempo do mundo

p

i

n

g

a

rumba

O ronco

da rumba

ouço daqui

do meu umbral



bumba meu rum!



me afundo

imunda

dos ombros aos quadris

no seu jiral

sábado, 14 de maio de 2011

Liberdade, Liberdade...

Ei você
Que me salivou sílabas!

Você me julgou
A primeira de sa-fa-do
Ou
A primeira de san-to?

Não importa agora!

Pois o certo
É a sílaba
Sol!

De sol-ta o som DJ!
É...
Soul
(Musica americana)

Eu to sol-to!!!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

o tempo

é curto para viver
longo para doer
não passa para esperar
voa para chegar
se muito faz esquecer
se pouco faz reviver
tempo é coisa esquisita
não se pega, não se sente,
não se olha, não se dita,
não se come, não se bebe,
[nem se coloca dentro
de uma caixinha
para ouvir ou ver depois]
está e não está
vem e vai
não tem tamanho nem medida
dizem que são horas, minutos e segundos
ou anos-luz, dimensão
mas todo mundo sabe que não
ninguem segura o tempo com a mão.

tempo tempo contratempo

[compassado como um relógio]
tic-tac,
tic-tac,
tic-tac,
tic-tac,
tic-tac,
tic-tac, ...
[rápido]
tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac,
tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, ...
[mais rápido como um pandeiro]
tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac,
tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac,
[em um tempo]
tic-tic-tic-tic-tic-tic-tic-tic-tic-tic-tic-tic
BOOM!

fala

fala, palavra
ou cala
fala na minha cara
fala, palavra rara
fala a palavra
só fala
nao escreve
fala só
ouve a palavra
que vem
e só vem
da fala que
cala e consente
e se nao consente
nao cala mas fala
que grita que geme
que brada que nao diz nada
que quer dizer tudo
mas tudo é muito
e muito é demais
da conta de todo mundo
da propria conta
que faz de conta que nada aconteceu
que nada foi dito ou ouvido
e fica por isso mesmo
mesmo que tudo isso
seja quase nada
de tudo que se queria dizer
e sendo querido já foi dito
mesmo sem fala e sem escrito
num grito.

ou

fala, palavra
ou cala
fala na minha cara
fala, palavra rara
fala a palavra
só fala
nao escreve
fala só
ouve a palavra
que vem
e só vem
da fala que
cala e consente
e se nao consente
nao cala
mas fala

criação

às vezes nada indica que algo deva ser dito
e o silencio soa tão alto que enche os espaços
as lacunas e os hiatos
os abismos e as distâncias
as frestas e os soluços
e sopra sobre os nós
e desfaz os enredos
e trama a renda
e borda o bilro
e tece o texto
e deita na rede
para descansar...

ARTIGO/REFLEXÃO SOBRE O FAZER POÉTICO E NOSSA OFICINA

Fragmentos de Sol nas bancas de revistas

Luis Turiba, de Pirenópolis, Goiás, onde participo da 3ª Flipiri

Às vezes,o jornal/revista está chato, velhaco e casmurro de notícias, mas rico em comentários e pensamentos culturais, literários e poéticos. Foi o caso de O Globo deste último sábado (7/05). E não por que foi dia de “Prosa & Verso”, que tinha riquíssima matéria sobre “Jornalismo narrativo e repórteres sem fronteiras” e uma resenha sobre o livro-antologia do poeta paulistano Régis Bonvicino, editado pela Imprensa Oficial com 564 páginas, um calhamaço.

Muito bacana o artigo da professora Marília Librandi-Rocha sobre “A terceira margem” da linguagem e suas pequenas jangadas soltas à deriva no mar bravo da produção. Deliciei-me principalmente com uma declaração atribuída a Alcir Pécora: “quando se trata de literatura, os mortos estão todos em atuação e suas obras controlam os leitores de hoje melhor do que os vivos”. Primor!

Na capa do “Segundo”, o cineasta Julinho Bressane clamava: “Não me enterrem vivo”. E por falar em enterrar vivo, outro cineasta, Cacá Diegues, acertou a mão ao dar vida à obra de Jorge Amado na página de “Opinião”. Ele escreveu: “o trabalho literário é antes de tudo um trabalho de linguagem. A linguagem, porém, não é essência nem ornamento, mas moeda de troca entre o autor e seu leitor, entre o autor e o mundo.”

Lá pelas tintas nem tão tontas assim, Cacá relembra que os concretistas (na verdade, o poeta barroco-concreto Haroldo de Campos, no final do século passado), hasteou o romance “A morte e a morte de Quincas Berro d´Água” aotopo da literatura brasileira.

“Recebi a notícia como uma vitória pessoal de seus leitores”, escreveu o cineasta. Ao fechar seu artigo, ele vai de encontro ao autor de “Galáxias”. “Jorge Amado é o nosso clássico por excelência e assim será até que o Brasil tome jeito e siga o espírito de suas tramas. Ou o exemplo de seus personagens.” Calma, Cacá: Jorge é Jorge por que respingou de luzes seus romances com a mestiça alma (da) brasileira.

Todos esses fragmentos de citações totalmente fora de seus (con)textos(,)estão a serviço do poético que pode haver no jornal diário. São pequenos carimbos no passaporte de um caçador de linguagens. Assim como "O Sol nas bancas de revistas" e/ou o romance baiano-planetário, a poesia também necessita estar impregnada com o sabor, suor e sal da terceira margem criada por Guimarães Rosa.

Interessante é que todas essas coisas vem sendo conversadas na oficina “Farani Cinco Três” que o poeta Chacal está flamando na Biblioteca de Botafogo, Rio. Sou um dos participantes do labor do velho mestre da linguagem carioca. Ao conhecer tête-à-tête os fundamentos do autor de "Quampérius" e conviver com uma rapaziada que começa a escrever versos na Idade Midia, renovo também meu repertório e meu manancial de linguagens. Ou pelo menos, tento.

“O texto é apenas um dos elementos do poema.” Esse fundamento Chacal traz lá das raízes, do tempo emque a Nuvem era Cigana. Performatizar o poema, sacudi-lo no vazio do oco até torná-lo um tornado verbal. Cada poema, um inutensílio. Utilizar sem medo de errar o corpo, a voz, a luz, a água, o fogo para embelezar e dar perfume às palavras. Todo cuidado com a emoção que pode tirar a poesia do poema. Assim, extermine o ego que há no seu texto, surrando-o contra a parede como recomenda Manoel de Barros.

Na oficina, Chacal tem utilizado princípios de Ezra Pound expostos no “ABC da Literatura”: fanopéia (projetar o objeto na imaginação visual, que Chacal chamou oswaldianamente de “Poema Kodak”); melopéia (produzir correlações emocionais por intermédio do som e do ritmo da fala); e logopéia (produzir ambos os efeitos estimulando as associações (intelectuais ou emocionais) que permaneceram na consciência do receptor em relação às palavras ou grupos de palavras efetivamente empregados). Para Pound, “a incompetência se manifesta no uso de palavras demasiadas.” Essa máxima, ele também usa ao comentar poemas que falam demais.

No fundo, Chacal tenta fundar (se já não fundou) um novo princípio não (tão) pensado por Pound, mas desenvolvido nos palcos, praças e lonas por onde a Poesia Marginal fincou raízes. Algo como “performalopéia”, onde palavras, gestual, imagens, sons, mídias cibernéticas, lances teatrais venham se fundir às frases e rimas e aliterações para uma melhor interação do público. Algo que Octávio Paz, outro formulador do texto poético, batizou de “Os signos da rotação” em “O Arco e a Lira.” Não tem escapatória, a poesia deve estar sempre viva, mesmo que esteja morta.

Incorporar ao poema o próprio corpo (e porquenão todos os copos?). Esse foi e ainda é o sonho programático do aprontador de linguagens. Isso fica claro no livro “Uma história à margem”, onde Chacal conta com humor e detalhes as peripécias de um poeta em busca da poesia.

Seu primeiro poema dito: "As imagens do audiovisual eram os retratos desses "caciques" (de Ramos) com o som da bateria do bloco. Aquilo começou a zabumbar na minha cabeça, já tomada pelo Alert Limão, uma mistura secreta e inflamável que deixava tudo em estado de nuvem. (...) O ambiente escurinho para a exibição era favorável. Não tive dúvida. No transe do momento, sem avisar a ninguém, falei para o Bernandro Vilhena que operava o projetor: "vou entrar. Vou entrar. Vou entrar". E entrou na roda falando "Papo de Índio".

Chacal havia assistido a uma performance de Allen Ginsberg, em Londres, que o marcou para sempre. "Como não sabia muito inglês, prestei mais atenção na gloriosa performance. Pensei: se um dia eu falasse poesia ao vivo, teria que ser com aquela dicção." É essa dicção que ele tenta passar em suas oficinas.

É tudo isso que continua brilhando em nossas bancas de revistas. Fragmentos, fragmentos, fragmentos, ainda do tempo do Modernismo. De palavras, de sons, de pensamentos, de ações que erguem uma linguagem cujos signos cibernéticos estão em altasrotações. E de repente (não mais que de repente) nascem desses meninos e meninas recém-saídos da adolescência versos que assombram como osda poeta que deixou a sílaba cair como um pesado dicionário. Ou outra que acabou despalavrando-se do poema.

Exílio

Vê só,
que esta
espera
inda há-de
salgar
nossa terra.

viração

rede vaga
em movimento.

morno sopro
sopra vento.

faca cega,
peixe morto.

revirada
sem lamento.

(melhor que navalha)

se tive
em ponta
de língua,
calo
em língua
de lança:
palavra

corta

quarta-feira, 11 de maio de 2011

pe(r)didos

Pede-se:
Despedaça-te
 
mede-se
porque despede-se
 
paz será se
dissipar-se
 
desejar um par que
se dispa 
lavre-se
e fim
rroon
era o gato
fiiiuuuu
com um apito

rroon rroon
era o motor
fiu! fiuu!
era o motorista

rroooon fiiiuuu...
era o ronco

rrooooaAAahhhrrr
do monstro

shhhhh...!
na barriga da vovó

querendo

Aquilo que quer
costuma ser tanto
quando o querer
esta distante
Experimente querer
o que tem!
Quantidade
nem sempre qualifica
aquiete no querer
queira ser
canse um pouco de ter!
Quem disse
o contrário
quer ser sabido
quando é só...
Coitado


terça-feira, 10 de maio de 2011

Kodac (para performance)

Ensaio pra lua

para Henri Mancini

Bochechas estufadas

Moon

Dedos nas chaves

river

Olhos apertados

wider

Boca amassada no metal

then a mile

Respiração concentrada

I’m crossing you in style

Mas não importa o quanto repita

I’m crossing you in style

Hoje a música não afina

someday

encontro

caco, cuia
quebranto
cof cof

credo

cálice colorido
encruzilhada, creio.

cruzes!

A I R E S

Escotilha voadora
cerrada por uma cortina.

Milhões de lâmpadas no chão.

Além do alvo
é leve o pouso.

Sala imensa
Hangar do voo.

Céu de prata
nuvem de lata.

Iglú da lulu

Gálapo

Goma Arábica,

Calcedônia.

Calentura

Calcinha

Calcanhar.

quero mais

relou puelvo de mi tierra,
cadê os barulhinhos ?
mantras, choques de palavras, crash.
se tiver ruim de sair,
insistam nos poemas kodak simplesmente.
câmera olho. cinema. closes, planos médios e gerais.
corte, edição.
não percam o embalo. palavras p/ q te quero.
joguem no blog. experimentar compartilhar.

um travinha:

pedra tem pé
pobre tem pó
pobre da pedra
com pé no pó

 

Zé Mané

O azar é todo seu
Se vc não se embola, não se embala, não se esfrega, não se entrega, não se apega, não me fala, não me cala.

Não sobe
Não desce


O azar é todo seu

Não toca tuba no jardim, não manda flores, não me acena pra dançar
Não me puxa, não me enlaça,
Nem letra, nem canção, nada

NADAnadanadandaandaandaandaANDA

Ainda bem
que eu nem gosto de vc

Pq se vc viesse
Se vc viesse
Bom, se vc viesse
Eu
Eu
Eu dançava um samba rasgado só pra vc

"Eufaçosambaeamoratémaistarde..."

Mas vc não vem
Vc é burro, né, Seu Zé Mané?

segunda-feira, 9 de maio de 2011

melopéia selvagem

ouvi o alvo

seio sem osso

despedaçar-se e ouço

ainda o uivo



malévolo do lobo

que o rasgou

e rasgará ou

tros no lodo



pois eu sou

o ouvido vi

vo daqui

lo que sôo
(arnaldo antunes)

esse poema canta o tempo todo.
através de rimas, aliterações.
é quase um caso de música sem letra.
mas as imagens também são fortes, de impacto.
melomelofanopéia.

quinta 12, invadiremos o palco. músicos a postos. levem lanternas.
e um texto decorado. e vamos nestra.

meus tels: 2259 0670 / 9363 8070
ricardo.chacal@gmail.com

domingo, 8 de maio de 2011

leiam com interesse.
não vai cair na prova. mas pode ser útil.
se quiserem fazer uma quadra misturando
versos de rima soante e rima toante
pode ser útil. leiam os poemas em voz alta
e percebam as diferenças com o ouvido.
e não esqueçam que não só de rima vive o verso melódico.

A RIMA (celso cunha)

1 – lendo essa quadrinha popular:

tanto limão, tanta lima,
tanta silva, tanta amora,
tanta menina bonita...
meu pai sem ter uma nora!

Verificamos que:
A – o 1º e o 3º verso apresentam uma identidade de vogais a partir da última vogal tônica: i-a (lima/bonita);
B – o 2º e o 4º verso apresentam uma correspondência de sons finais ainda mais perfeita, pois, a partir da última vogal tônica, se igualam todos os fonemas (vogais e consoantes): -ora (amora-nora).

2 – esta identidade ou semelhança de sons em lugares determinados dos versos é o que se chama RIMA. Se a correspondência de sons é completa, a RIMA diz SOANTE, CONSOANTE ou simplesmente CONSONÂNCIA. Se há conformidade apenas da vogal tônica ou das vogais a partir da tônica, a RIMA denomina-se TOANTE, ASSONANTE, ou simplemente ASSONÂNCIA (João Cabral)

1 - IMITAÇÃO DA ÁGUA



De flanco sobre o lençol,

paisagem já tão marinha,

a uma onda deitada,

na praia, te parecias.



Uma onda que parava

ou melhor: que se continha;

que contivesse um momento

seu rumor de folhas líquidas.



Uma onda que parava

naquela hora precisa

em que a pálpebra da onda

cai sobre a própria pupila.



Uma onda que parara

ao dobrar-se, interrompida,

que imóvel se interrompesse

no alto de sua crista



e se fizesse montanha

(por horizontal e fixa)

mas que ao se fazer montanha

continuasse água ainda.



Uma onda que guardasse

na praia cama, finita,

a natureza sem fim

do mar de que participa,



e em sua imobilidade

que precária se adivinha,

o dom de se derramar

que as águas faz femininas



mais o clima de águas fundas

a intimidade sombria

e certo abraçar completo

que dos líquidos copias.

(João Cabral de Melo Neto – QUADERNA- 56/59)




A RIMA E O ACENTO



Quanto à posição do acento tônico, as RIMAS, como as palavras, podem ser:



A – agudas: (oxítonas)

Vinhos dum vinhedo, frutos dum pomAR,

Que nos céus os anjos regam com luAR...

(Guerra Junqueiro)



B – graves: (paroxítonas)

Trago-te flores, restos arrancados

Da terra que nos viu passar unidos

E ora mortos nos deixa separados



C – esdrúxulas : (proparoxítonas)

No ar lento fumam gomas aromáticas

Brilham as navetas, brilham as dalmáticas



As rimas agudas são também chamadas RIMAS MASCULINAS

As rimas graves, RIMAS FEMININAS



RIMA PERFEITA e RIMA IMPERFEITA


1 - A rima é uma coincidência de sons, não de letras. Por exemplo, há RIMA SOANTE PERFEITA

nestes versos de Alphonsus Guimaraens:



céu puro que o Sol trouxe

claro de norte a sul,

o teu olhar é doce,

negro assim, qual se fosse

inteiramente azul



tanto entre sul e azul, como entre as formas trouxe, doce e fosse, que apresentam a mesma terminação grafada de três maneiras diferentes.





2 – perfeita é também a rima de tem com mãe nesses versos do poeta português Fernando Pessoa:

Tão jovem! Que jovem era!

(agora que idade tem?)

Filho único, a mãe lhe dera

Um nome e o mantivera:

“O menino da sua mãe”.



Porque no falar lisboeta estas palavras soam iguais.



3 – Mas nem sempre há identidade absoluta entre os sons dispostos em rima, quer soante, quer toante. Algumas discordâncias tem sido mesmo largamente toleradas através dos tempos. Entre os casos de RIMA IMPERFEITA consagradas pelo uso, cabe mencionar:



a – o das vogais acentuadas E e O semi abertas como semi fechadas, prática inciada por Gil Vicente, no século XVI, e adotada desde então pelos poetas da língua:



quem disse à estrela do caminho

que ela há de seguir no céu?

A fabricar o seu ninho

Como é que a ave aprendeu?



(Almeida Garret)



...............................................



RIMA POBRE e RIMA RICA





1 – consideram-se POBRES as rimas soantes feitas com terminações muito correntes no idioma, principalmente as de palavras da mesma classe gramatical. É o caso, por exemplo de infinitos em –ar, dos particípios em –ado, dos gerúndios em –ando, dos dimnutivos em –inho, dos advérbios em –mente, dos adjetivos em –ante, dos substantivos em –ão e –eza, das palavras primitivas com os seus derivados por prefixação: amor-desamor, ver-rever, etc.



2 – são RICAS as rimas que se fazem com palavras de classe gramatical diversa ou de rimas pouco frequentes,

como nesses versos de Alphonsus de Guimaraens:



o teu olhar, senhora, é a estrela da alva

que entre alfombras de nuvens irradia:

salmo de amor, canto de alívio, e salva

de palmas a saudar a luz do dia...



alguns metricistas preferem reservar a qualificação RICAS para as rimas com consoante de apoio, do tipo dia-irradia.



3 – denominam-se RARAS ou PRECIOSAS as rimas excepcionais, difíceis de encontrar. Foram procuradas sobretudo pelos poetas parnasianos e simbolistas. Veja-se, por exemplo, esta rima de ditirambos com flambos, que aparece nos Helenos, de B. Lopes.



E, a rir, levamos entre ditirambos,

Eu, no açafate, as provisões do lanche,

Ela, um beijo a trinar nos lábios flambos!





E as cálix com digitális e de leque com Utreque, empregada em Horas, de Eugênio de Castro:



Oh os seus olhos! Suas unhas de amêndoa! E em cálix

O seu colo! E os seus dedos de digitális! –



Vai com suas aias, leva fino leque

Cauda de veludo pálido, de Utreque.



4 – por vezes, o poeta procura a raridade não só no campo fonético, mas também no campo morfológico. Do mesmo Eugênio de Castro são estes versos, em que rima um substantivo com uma forma verbo-pronominal:



eis que diz uma: - meus chapins descalçá-mos,

unge meus pés brancos com cheirosos bálsamos.



......................................................................................................



Não faltam exemplos de rima em Horácio, Virgílio e outros poetas do período clássico, mas é nos cantos de textura popular, como o carmen, que vamos encontrá-los com maior frequência, o que nos leva a considerar tal homofonia de sons finais um dos seus elementos característicos.

O fato explica-se pelas necessidades do canto e, principalmente, pelo progressivo predomínio do acento de intensidade.

Numa versificação baseada na quantidade silábica e no acento de altura, como era a latina no período clássico, a rima teria forçosamente o caráter de puro adorno acidental – recurso lúdico ou de harmonia imitativa, quando não uma negligência. Nada, lembra j.m. meunier, poderia ser mais contrário ao princípio da métrica erudita do que volver, continuamente, às mesmas terminações. Obrigando a fixar a atenção em certas sílabas em detrimento do conjunto, essas rimas perturbavam a harmonia resultante da sucessão regular e do agrupamento variado das longas e das breves, sobre as quais insidia, ou o tempo forte métrico, ou o acento de altura. Nesta organização rítmica flexível e delicada, elas apareciam como notas discordantes e a tonalidade vulgar.

Já numa versificação puramente silábica, o rítmo é o simples efeito da alternância de sílabas fortes e fracas, ou seja impressionadas ou não pelo acento intensivo. A igualdade de som ou sons finais dos versos surge então como uma tosca forma de marcar-lhes o témino. Gaston Paris chega a afirmar, com certo exagero, que “uma versificação simplesmente silábica não passa de um corpo sem alma; é necessariamente em tudo material, e só pode obter efeitos pelo meio brutal da rima”.

A partir do século IV da nossa era, a rima começa a ser empregada de forma sistemática. Aparece então, na peça que finaliza as Instructiones de Comodiano e fixa-se, depois, nos hinos da liturgia cristã. Com o florescimento da poesia trovadoresca, nos séculos XII e XIII, ela assume uma importância capital e é explorada até os limites de seu poder expressivo. Basta para comprová-lo o fato de Las Leys d’Amors, tratado de poética de século XIV, enumerar 43 espécies de rimas utilizadas pelos trovadores occitânicos.

até quinta, dia 12 ou a qq momento poraqui