
- O FARANI CINCO TRÊS surgiu através da oficina orientada pelo poeta Chacal, na Biblioteca de Botafogo. Parceria da SMC RJ. Iniciada em Abril de 2011.
- FARANIS livros!
#FELIZPE FRUTOSE lançou seu FRUTA AFRODISIACA (amostra grátis) no dia 23 de março de 2012! lançamento virtual já com mais de 500 visualizações! PARABÉNS, FELIZPE! Para ler, CLIQue aQui!
#CESAR GOMES lançou também o seu Livro 22, em novembro de 2011, que pode ser lido AQui!
#ANA SCHLIMOVICH também lançou o seu ANAFENIX, em dezembro de 2011! poemas e fotos de las anas: AqUi!
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Calandre Black Out
iluminava o quarto
Abriram-se as cortinas,
senhoras da noite sem fim.
O fio do tempo
no traço do delineador.
No espelho
corpo inteiro.
Meia calça,
chemisier.
No ar, o perfume, era o ultimo sinal.
toc... toc toc..toc
os saltos..
ultrapassando
o tapete,
abandonavam com cadência
meu palco de menina.
Melopéia Kodac no 1
Vem não vem?
Vou não vou?
Coração desejo e sina:
Vai.
Recai caetano caetaneando no palco
tudo mais pura rotina
Saradinho, rebolandinho
dá um cheirinho no amigo:
Tocarei seu nome pra poder falar de amor
Depois do Veloso dar um alô de revés
para um músico da vez de trás;
depois de Djavan djavanendo devaneios
Art Nuveau da natureza;
O baiano dá um abano baianeante
para alguém de fora da banda
enquanto o alagoano ali é puro alumbramento
Jazz
Sorrisos dançam sem siso
A luz do grande prazer é irremediável néon
Tocam gostosas as gargantas,
e seus gogós galantes garantem
o grito de prazer
que irá
açoitar o ar.
Então Gil na platéia, achando a sua graça, gilberta em aplausos —
Tudo é festa:
Reveillon!
As cores e o instante
Talvez eu nunca tenha te dito
que escureço em música.
Ao escrever não posso me fabricar
como em uma pintura,
assim como se fabrica uma cor.
A desarmonia secreta das cores
são o luxo do meu silêncio;
e assim eu silencio,
de um modo que minha própria palavra
me contradiz.
Procuro a palavra última que,
assim como o primeiro passo,
é o último em direção ao intangível do real.
E se às vezes eu pinto palavras em cavernas
é para que elas se tornem a história do mundo.
Mas o instante acende e apaga,
como versos que surgem sem esforço
e sem motivo.
Nesta nova era das minhas palavras,
o que falo é todo o meu invento
concentrado em uma única confidência:
um astro que nomeia
a única forma de quantificar
tudo aquilo que é sentir
sem possuir.
terça-feira, 17 de maio de 2011
De passagem
e estou
Sou intensa
cometa
que passa
mais fica
Não gosto
mas sou
Nada posso fazer
Quando vi
já fui...
Toada
Tua boca, minha língua
Tempo
Meu ventre, tua coisa
Tempo
O Vôo solitário no entre
Tempo
O caminho livre por sobre os pelos
Tempo
Todo tempo do mundo
p
i
n
g
a
rumba
da rumba
ouço daqui
do meu umbral
bumba meu rum!
me afundo
imunda
dos ombros aos quadris
no seu jiral
sábado, 14 de maio de 2011
Liberdade, Liberdade...
sexta-feira, 13 de maio de 2011
o tempo
longo para doer
não passa para esperar
voa para chegar
se muito faz esquecer
se pouco faz reviver
tempo é coisa esquisita
não se pega, não se sente,
não se olha, não se dita,
não se come, não se bebe,
[nem se coloca dentro
de uma caixinha
para ouvir ou ver depois]
está e não está
vem e vai
não tem tamanho nem medida
dizem que são horas, minutos e segundos
ou anos-luz, dimensão
mas todo mundo sabe que não
ninguem segura o tempo com a mão.
tempo tempo contratempo
tic-tac,
tic-tac,
tic-tac,
tic-tac,
tic-tac,
tic-tac, ...
[rápido]
tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac,
tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, ...
[mais rápido como um pandeiro]
tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac,
tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac,
[em um tempo]
tic-tic-tic-tic-tic-tic-tic-tic-tic-tic-tic-tic
BOOM!
fala
ou cala
fala na minha cara
fala, palavra rara
fala a palavra
só fala
nao escreve
fala só
ouve a palavra
que vem
e só vem
da fala que
cala e consente
e se nao consente
nao cala mas fala
que grita que geme
que brada que nao diz nada
que quer dizer tudo
mas tudo é muito
e muito é demais
da conta de todo mundo
da propria conta
que faz de conta que nada aconteceu
que nada foi dito ou ouvido
e fica por isso mesmo
mesmo que tudo isso
seja quase nada
de tudo que se queria dizer
e sendo querido já foi dito
mesmo sem fala e sem escrito
num grito.
ou
fala, palavra
ou cala
fala na minha cara
fala, palavra rara
fala a palavra
só fala
nao escreve
fala só
ouve a palavra
que vem
e só vem
da fala que
cala e consente
e se nao consente
nao cala
mas fala
criação
e o silencio soa tão alto que enche os espaços
as lacunas e os hiatos
os abismos e as distâncias
as frestas e os soluços
e sopra sobre os nós
e desfaz os enredos
e trama a renda
e borda o bilro
e tece o texto
e deita na rede
para descansar...
ARTIGO/REFLEXÃO SOBRE O FAZER POÉTICO E NOSSA OFICINA
Luis Turiba, de Pirenópolis, Goiás, onde participo da 3ª Flipiri
Às vezes,o jornal/revista está chato, velhaco e casmurro de notícias, mas rico em comentários e pensamentos culturais, literários e poéticos. Foi o caso de O Globo deste último sábado (7/05). E não por que foi dia de “Prosa & Verso”, que tinha riquíssima matéria sobre “Jornalismo narrativo e repórteres sem fronteiras” e uma resenha sobre o livro-antologia do poeta paulistano Régis Bonvicino, editado pela Imprensa Oficial com 564 páginas, um calhamaço.
Muito bacana o artigo da professora Marília Librandi-Rocha sobre “A terceira margem” da linguagem e suas pequenas jangadas soltas à deriva no mar bravo da produção. Deliciei-me principalmente com uma declaração atribuída a Alcir Pécora: “quando se trata de literatura, os mortos estão todos em atuação e suas obras controlam os leitores de hoje melhor do que os vivos”. Primor!
Na capa do “Segundo”, o cineasta Julinho Bressane clamava: “Não me enterrem vivo”. E por falar em enterrar vivo, outro cineasta, Cacá Diegues, acertou a mão ao dar vida à obra de Jorge Amado na página de “Opinião”. Ele escreveu: “o trabalho literário é antes de tudo um trabalho de linguagem. A linguagem, porém, não é essência nem ornamento, mas moeda de troca entre o autor e seu leitor, entre o autor e o mundo.”
Lá pelas tintas nem tão tontas assim, Cacá relembra que os concretistas (na verdade, o poeta barroco-concreto Haroldo de Campos, no final do século passado), hasteou o romance “A morte e a morte de Quincas Berro d´Água” aotopo da literatura brasileira.
“Recebi a notícia como uma vitória pessoal de seus leitores”, escreveu o cineasta. Ao fechar seu artigo, ele vai de encontro ao autor de “Galáxias”. “Jorge Amado é o nosso clássico por excelência e assim será até que o Brasil tome jeito e siga o espírito de suas tramas. Ou o exemplo de seus personagens.” Calma, Cacá: Jorge é Jorge por que respingou de luzes seus romances com a mestiça alma (da) brasileira.
Todos esses fragmentos de citações totalmente fora de seus (con)textos(,)estão a serviço do poético que pode haver no jornal diário. São pequenos carimbos no passaporte de um caçador de linguagens. Assim como "O Sol nas bancas de revistas" e/ou o romance baiano-planetário, a poesia também necessita estar impregnada com o sabor, suor e sal da terceira margem criada por Guimarães Rosa.
Interessante é que todas essas coisas vem sendo conversadas na oficina “Farani Cinco Três” que o poeta Chacal está flamando na Biblioteca de Botafogo, Rio. Sou um dos participantes do labor do velho mestre da linguagem carioca. Ao conhecer tête-à-tête os fundamentos do autor de "Quampérius" e conviver com uma rapaziada que começa a escrever versos na Idade Midia, renovo também meu repertório e meu manancial de linguagens. Ou pelo menos, tento.
“O texto é apenas um dos elementos do poema.” Esse fundamento Chacal traz lá das raízes, do tempo emque a Nuvem era Cigana. Performatizar o poema, sacudi-lo no vazio do oco até torná-lo um tornado verbal. Cada poema, um inutensílio. Utilizar sem medo de errar o corpo, a voz, a luz, a água, o fogo para embelezar e dar perfume às palavras. Todo cuidado com a emoção que pode tirar a poesia do poema. Assim, extermine o ego que há no seu texto, surrando-o contra a parede como recomenda Manoel de Barros.
Na oficina, Chacal tem utilizado princípios de Ezra Pound expostos no “ABC da Literatura”: fanopéia (projetar o objeto na imaginação visual, que Chacal chamou oswaldianamente de “Poema Kodak”); melopéia (produzir correlações emocionais por intermédio do som e do ritmo da fala); e logopéia (produzir ambos os efeitos estimulando as associações (intelectuais ou emocionais) que permaneceram na consciência do receptor em relação às palavras ou grupos de palavras efetivamente empregados). Para Pound, “a incompetência se manifesta no uso de palavras demasiadas.” Essa máxima, ele também usa ao comentar poemas que falam demais.
No fundo, Chacal tenta fundar (se já não fundou) um novo princípio não (tão) pensado por Pound, mas desenvolvido nos palcos, praças e lonas por onde a Poesia Marginal fincou raízes. Algo como “performalopéia”, onde palavras, gestual, imagens, sons, mídias cibernéticas, lances teatrais venham se fundir às frases e rimas e aliterações para uma melhor interação do público. Algo que Octávio Paz, outro formulador do texto poético, batizou de “Os signos da rotação” em “O Arco e a Lira.” Não tem escapatória, a poesia deve estar sempre viva, mesmo que esteja morta.
Incorporar ao poema o próprio corpo (e porquenão todos os copos?). Esse foi e ainda é o sonho programático do aprontador de linguagens. Isso fica claro no livro “Uma história à margem”, onde Chacal conta com humor e detalhes as peripécias de um poeta em busca da poesia.
Seu primeiro poema dito: "As imagens do audiovisual eram os retratos desses "caciques" (de Ramos) com o som da bateria do bloco. Aquilo começou a zabumbar na minha cabeça, já tomada pelo Alert Limão, uma mistura secreta e inflamável que deixava tudo em estado de nuvem. (...) O ambiente escurinho para a exibição era favorável. Não tive dúvida. No transe do momento, sem avisar a ninguém, falei para o Bernandro Vilhena que operava o projetor: "vou entrar. Vou entrar. Vou entrar". E entrou na roda falando "Papo de Índio".
Chacal havia assistido a uma performance de Allen Ginsberg, em Londres, que o marcou para sempre. "Como não sabia muito inglês, prestei mais atenção na gloriosa performance. Pensei: se um dia eu falasse poesia ao vivo, teria que ser com aquela dicção." É essa dicção que ele tenta passar em suas oficinas.
É tudo isso que continua brilhando em nossas bancas de revistas. Fragmentos, fragmentos, fragmentos, ainda do tempo do Modernismo. De palavras, de sons, de pensamentos, de ações que erguem uma linguagem cujos signos cibernéticos estão em altasrotações. E de repente (não mais que de repente) nascem desses meninos e meninas recém-saídos da adolescência versos que assombram como osda poeta que deixou a sílaba cair como um pesado dicionário. Ou outra que acabou despalavrando-se do poema.
Exílio
que esta
espera
inda há-de
salgar
nossa terra.
viração
em movimento.
morno sopro
sopra vento.
faca cega,
peixe morto.
revirada
sem lamento.
(melhor que navalha)
em ponta
de língua,
calo
em língua
de lança:
palavra
corta
quarta-feira, 11 de maio de 2011
pe(r)didos
era o gato
fiiiuuuu
com um apito
rroon rroon
era o motor
fiu! fiuu!
era o motorista
rroooon fiiiuuu...
era o ronco
rrooooaAAahhhrrr
do monstro
shhhhh...!
na barriga da vovó
querendo
terça-feira, 10 de maio de 2011
Kodac (para performance)
Ensaio pra lua
para Henri Mancini
Bochechas estufadas
Moon
Dedos nas chaves
river
Olhos apertados
wider
Boca amassada no metal
then a mile
Respiração concentrada
I’m crossing you in style
Mas não importa o quanto repita
I’m crossing you in style
Hoje a música não afina
someday
A I R E S
cerrada por uma cortina.
Milhões de lâmpadas no chão.
Além do alvo
é leve o pouso.
Sala imensa
Hangar do voo.
Céu de prata
nuvem de lata.
quero mais
cadê os barulhinhos ?
mantras, choques de palavras, crash.
se tiver ruim de sair,
insistam nos poemas kodak simplesmente.
câmera olho. cinema. closes, planos médios e gerais.
corte, edição.
não percam o embalo. palavras p/ q te quero.
joguem no blog. experimentar compartilhar.
um travinha:
pedra tem pé
pobre tem pó
pobre da pedra
com pé no pó
Zé Mané
Se vc não se embola, não se embala, não se esfrega, não se entrega, não se apega, não me fala, não me cala.
Não sobe
Não desce
O azar é todo seu
Não toca tuba no jardim, não manda flores, não me acena pra dançar
Não me puxa, não me enlaça,
Nem letra, nem canção, nada
NADAnadanadandaandaandaandaANDA
Ainda bem
que eu nem gosto de vc
Pq se vc viesse
Se vc viesse
Bom, se vc viesse
Eu
Eu
Eu dançava um samba rasgado só pra vc
"Eufaçosambaeamoratémaistarde..."
Mas vc não vem
Vc é burro, né, Seu Zé Mané?
segunda-feira, 9 de maio de 2011
melopéia selvagem
esse poema canta o tempo todo.
através de rimas, aliterações.
é quase um caso de música sem letra.
mas as imagens também são fortes, de impacto.
melomelofanopéia.
quinta 12, invadiremos o palco. músicos a postos. levem lanternas.
e um texto decorado. e vamos nestra.
meus tels: 2259 0670 / 9363 8070
ricardo.chacal@gmail.com
domingo, 8 de maio de 2011
não vai cair na prova. mas pode ser útil.
se quiserem fazer uma quadra misturando
versos de rima soante e rima toante
pode ser útil. leiam os poemas em voz alta
e percebam as diferenças com o ouvido.
e não esqueçam que não só de rima vive o verso melódico.
A RIMA (celso cunha)
Tão jovem! Que jovem era!
até quinta, dia 12 ou a qq momento poraqui