- O FARANI CINCO TRÊS surgiu através da oficina orientada pelo poeta Chacal, na Biblioteca de Botafogo. Parceria da SMC RJ. Iniciada em Abril de 2011.
- FARANIS livros!
#FELIZPE FRUTOSE lançou seu FRUTA AFRODISIACA (amostra grátis) no dia 23 de março de 2012! lançamento virtual já com mais de 500 visualizações! PARABÉNS, FELIZPE! Para ler, CLIQue aQui!
#CESAR GOMES lançou também o seu Livro 22, em novembro de 2011, que pode ser lido AQui!
#ANA SCHLIMOVICH também lançou o seu ANAFENIX, em dezembro de 2011! poemas e fotos de las anas: AqUi!
terça-feira, 31 de maio de 2011
VIVA A LÍNGUA BRASILEIRA
Luis Turiba
Ó órgão vernacular alongado
Hábil áspero ponteado
Móvel Nobel ágil tátil
Amálgama lusa malvada
Degusta deglute deflora
Mas qual flora antropofágica
Salva a pátria mal amada
Língua-de-trapo Língua solta
Língua ferina Língua douta
Língua cheia de saliva
Saravá Língua-de-fogo e fósforo
Viva & declinativa
Língua fônica apócrifa
Lusófona & arcaica
Crioula iorubáica
Língua-de-sogra Língua provecta
Língua morta & ressurecta
Língua tonal e viperina
Palmo de neolatina
Poema em linha reta
Lusíadas no fim do túnel
Caetano não fica mudo
Nem "Seo" Manoel lá da esquina
Por ti Guesa Errante, afro-gueixa
O mar se abre o sol se deita
Por Mários de Sagarana
Por magos de Saramago
Viva os lábios!
Viva os livros!
Dos Rosas Campos & Netos
Os léxicos, Andrades, os êxtases
Toda a síntese da sintaxe
Dos erros milionários
Desses malandros otários
Descartáveis, de gorjetas.
Língua afiada a Machado
Afinal, cabeça afeita
Desafinada índia-preta
Por cruzas mil linguageiras
A coisa mais Língua que existe
É o beijos da impureza
Desta Língua que adeja
Toda a brisa brasileira
Por mim,
Tupi,
Por tu Guesa
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Exórdio
era sem forma e rubra
havia um céu de pássaros de fogo
e tudo era acintoso Silêncio____
ouvido algum jamais pusera ali
música de seus martelos e conchas .
Haviam três pares de olhos
pairando sobre essas " águas " ,
recém - chegados no Tempo .
Depois um pôr-do-sol nascituro
era Nijinski nos primeiros olhos assombrados
sopro dos Três Primeiros
além do Azul que a vista amarfanhava_______
Foi num momento , e salto gigantesco :
Agora erguera o barro para a Eternidade .
Jacarepaguá
que ainda hoje tem gente chegando
na terra dele.
Foi isso: Nas antiguanças eram os índios
que moravam nela,
achavam grandes os jacarés
mas os jantavam assim mesmo.
Depois vieram os portugueses
e jantaram os índios,
ainda usaram os jacarés
pra palitar os dentes.
Depois depois de uns bons balalões
veio por fim "seu" barão:
Com bigodeira barbanças
medalhas do Paraguai
e virou mini-donatário_______
O criouléu nunca mais
atravessou o Samba.
Os jacarés ? Fizeram as malas ,
foram pra Barra , Recreio :
viraram gente , têm sido vistos nos shoppings,
tomando sol nos jardináceos bacanas. JacareMor ,
jacarenorme , jacaré
paguááááá ......
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Exercício tema tempo (só pra não ficar na encolha)
Piolhos — Uma jornada
18:00 h
Dois terços do dia.
Até agora ele é bipolar
E alguma notícia falta
00:40 h/m
Três terços do dia
notícia chegou
nenhuma boa
nem uma pulga atrás da orelha
pareço mesmo estar com piolhos
mas refletindo sou levada a crer
que uma pessoa que anda bem acompanhada como eu
não deveria ter piolhos assim
9:15 h/m
Acordo atrasada pro primeiro terço do dia.
Muitos piolhos.
Converso com eles
Ainda que tentando me convencer de que eles não são de verdade
Um amigo me oferece um pente fino
Mas não me garante nada
13:40 h/m
Chego à conclusão de que não é mesmo possível levar esses piolhos tão a sério
Assim, decido comprar um shampoo desses que acabam com eles
Amanhã outro amigo receberá um telefonema quando eu estiver mais calma
e decidida a não me descabelar
15:15 h/m
Já tranqüila com os meus piolhos imaginários
e sabendo que vou tratar de dar um jeito neles de qualquer maneira
desisto de conversar com os bichinhos
mas permaneço
ainda que finja que não
incomodada com certas verdades impossíveis que eles me contam
17:10 h/m
Quase dois terços do dia
Até agora ocupada dos piolhos contraídos na noite anterior
Já cansada de pensar neles
imagino o que será do próximo terço
e tenho medo do desejo que brota
(ainda que lá no íntimo)
de obter notícias denovo
18:00 h (ou 24 horas depois)
Mas o tédio.
Dotado dessa espécie de arrogância
deseja sempre afoito
mais do que ele mesmo pode suportar.
27 de maio
estou gostando dessas zil formas de se falar. mundo besta e digital. realmente, turiba, foi um presente e tanto, o farani no cep. rolou redondo. o método zé arigó mais uma vez funcionou. mas parece q ele só dá certo na estréia. depois tem mesmo é que ralar. gostei tb do encontro na quinta. q a lúcia, essa garota exemp-lar, já colocou aí na tela. fizemos breve avaliação. o thadeu deu boas opiniões. falou q melhor seria, se fosse apenas um tema. fizemos um pouco do "tempo", mas depois diversificou. para fazer assim, seria melhor um cabaré com cada um, inventando uma e a música e a luz costurando. podemos fazer mais adiante.
agora acho melhor fechar num tema. vamos lembrar q as duas coisas devem andar juntas: poesia e performance. pegamos o gosto da performance. mas a poesia tem prioridade.
semana q vem começamos o módulo "olhar" ou "fotografar". voltamos ao "poema kodak", q gerou ótimos poemas, e vamos potencializá-lo. a idéia é trabalhar como uma câmera trabalha, com closes, planos médios, planos gerais. edições fragmentadas e planos sequência. montar o poema como um roteiro de filme. vamos expereimentar isso. vou praticar tb. a idéia parece boa. vamos ver na prática. a base é aquela q fizemos: descrição de um ambiente, de um exterior, de um rosto, de uma praça. e ir montando. o resultado pode ser um poema um pouco maior. mas ainda assim sintético (cortar palavras desnecessárias !). voltem a dar férias para aquele intrometido "eu". olhar e fotografar. e concluir com 1 surpresa.
os posts podem começar a pipocar na segunda. um dia bom para avaliar (malgrado o pagodew na pedro américo). mas eventualmente, pode vir depois. legal tb imprimir e levar p/ ler na aula e me entregar.
temos alguns convites. mas vamos fortalecer o grupo e a lira. amanhã não sei se vou. tenho vontade, mas vou resolver na hora. estou muito feliz com o que temos feito. vamos em frente. acho legal ter um segundo encontro no sábado de 15 às 17 hs na lúcia, no catete.
vamos em frente. bjos, ch.
TumbaTOMBATempo
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Fracassado
(de sucesso)
Está se apagando
Agora são poucos
Os pontos-de-luz-branca
Da máquina
Que mostra a quantidade
De pessoas
Que pensam em mim
Nesse exato momento
Faz tempo
Que não canto
Em programas
De televisão
E o meu último sucesso
Foi há dez anos
É o mesmo tempo
Que não saio
Dessa ilha-deserta
(onde nunca amanhece)
Sol não há
Só a querida, maldita
Senhorita-Escuridão
Ela é minha única companhia
É a minha platéia
Se o meu medidor
(de sucesso)
Apagar de vez
E a minha amante lua
Nunca mais brilhar
Terei que me casar
Oficialmente
Com a Senhorita-Escuridão
“- Escuridão
me aceite
como o seu legítimo-esposo
seja a minha senhora
prometo estar contigo
até o dia
em que nascerei de novo
e verei novamente a luz
da sala-de-parto
de uma maternidade qualquer.”
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Chararrimada carioca
Vista à contraluz, rima com anil.
É a __________________________.
terça-feira, 24 de maio de 2011
tem pum pam
e eu não fiz nada
como me agonia
ficar parada
Troquei letras por fotos
e sem querer perdi o foco
o embalo da caneta
ficou na sala dos poetas
Me desculpem meus colegas
pelas tarefas incompletas
de tanto pensar no tempo
ele passou por mim
E eu nem vi
só senti
um tem pum pam
e depois cai
bic
onde as tempestades noturnas chegam em silêncio,
e castigam sem piedade.
fugindo,
pensei vestir em cada dedo um anel,
e coberta,
vasculhar cortes e carícias,
tatuados no papel.
meu papel,
seu papel
que meu
que seu
que nossos
minóico labirinto
de muitas janelas
de maio.
Byke-poema
Lá vai o poeta de bicicleta
levando a vida na flauta
na poesia e na ribalta
Lá vai o poeta sem meias
palavras brincando
de verdades inteiras
pela vida afora
noves fora tudo
Lá vai o poeta com sua touca
que não dorme
não dá bobeira
nem sossega
nem se cega
só se sente
e assim se solta
salpicando poesia
a sua volta.
Exercício de Tempo e Luz (e resgatado da gaveta)
A luz que eu sei fazer
Quando o tempo é assim aqui
e você aí vai sem desconfiar,
é um alívio pensar que alguém nem mesmo suspeita
do quanto ao meu redor pode ser essa tamanha confusão,
que nem ocasião de disfarçar pra você
É quando você aí tranqüilo, vai contando os dias
sabendo que na hora em que eu aparecer
vou ter pelo menos um sorriso arrumado
e alguma alegria
pra te entregar
— eu fiquei muito mais pesada com esse tempo
e essa parte eu não quero te contar
Será que você desconfia de que peso é esse?
Que dor é essa que dá?
Que de tão antiga mais parece um incômodo mau humorado?
Eu disfarço
Te ponho pra rir
E me tranqüilizo na delicadeza que é olhar pra você
Mas parece que eu escondo um segredo,
quando você olha nos meus olhos e eu sou tão feliz...
E eu não sei mais se o segredo é o colorido que eu quero te mostrar
ou a escuridão que eu jamais quero que você conheça
Não posso te pedir pra me salvar
Eu bem sei
Como sei que você precisava era de alguém
que iluminasse as suas noites
sem atrapalhar seu sono
E eu bagunço os seus lençóis
porque eu não sei mais nada
pra fazer
Então me deixe bagunçar os seus lençóis
Apertar as mãos e os olhos
Me deixe anunciar que estou aqui
É a luz que eu sei fazer
Me deixe enroscar seus travesseiros
E levar seu cheiro comigo, pra essa casa nova comigo
Enfeitando os meus olhos no apagar das lâmpadas
É a luz que eu sei fazer
Então me deixe carregar seus olhos comigo:
Pois se de olhos dados com suas mãos
Não importa onde
Não importa longe
Eu tenho luz pra você
Você
me deixe acender
Me deixe a luz que eu sei fazer
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Glória, glória, Glória
Tá fresquinho?
Vem cá, menina, olha o carro!!!
Rua Cândido Mendes
cerveja geladinha escorrendo pela goela na esquina
Vila Rica
ê!! Não viu o sinal?!
Tapíoca, couve, cheiro verde, maçã
Moça bonita não paga!
ô feira falsa!
Meditação
o olhar além do Pão de Açucar
melado
encontra a nuvem e cai em chuva na face
paralisada do gozo de ser
naquela tarde úmida controlada por buzinas e freadas
em plena praça Paris
antes do anoitecer.
Rua da aridez
Olhos de andaime,
Pupilas de luva,
Jugular de cimento,
Um salto em alto equilíbrio,
Coração descompassado,
A lua no caroço,
As mãos são cegas,
Mundo, imperfeita bola.
No umbigo torto do universo
Suspenso por silhuetas de nuvens
Como as asas que só existem nos mapas,
Como um relâmpago se faiscasse,
Como dois sóis estilhaçando, um por de trás do outro.
Dois sóis perdidos na mais pura geometria das tardes.
sábado, 21 de maio de 2011
2036
Vou te acender os luzeiros
do fim do Mundo : Novas que chegam
pelas asas dos pássaros ,
na espuma dos oceanos .
História em festa sorri :
Vai sacudir os armários
onde eram tantos os mortos ,
no céu rosado três aves
levam nos bicos relógios ,
perto do sol perdem as asas
se transformando em trombetas
que o vento assopra sobre o deserto
onde a mulher se esconde ,
guardando vestes de festa
e muitos filhos do Hóspede______
Então sementes de piano Verdecerão ,
a Virgem trará de novo a poesia
aos homens Reconstruídos .
.
Missa Breve
outubros postos
no chão : conto as cigarras das árvores ,
faltam várias ao trabalho .
No céu nuvens grossas , rombudas____
sabendo a trombones gordos .
Uns urubus canhambora
andam cortando as horas temporãs ,
na boca andaimes , paredes_______
todo um Resto
atrapalhando a semana :
Nos campos homens de bronze
semeiam torres de petróleo ,
engolem trinta camelos .
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Trava-palavra I: nenhuma coisa toda
Ave. em foco
3x4
Sol grau 40 ´´radia 4000 corpos de sede.
Cores. Rio Branco de doutores, secretários, gravatas
sapatos, apertos, carros, sufocos, bancos, couros, buracos,
valetes, valises, valores, varões, varetas, vagabundos
(vrummmm), "um real aí, tio!", "perdeu, HA!" -,
um menos, uns mais, mais... mais... mais...
sem-sombras de dúvida n´encontro coletivo.
ZOOM
Um Órador próximo a um andarilho próximo
a uma barraca de artesanato trata palavras, clamando:
- (...) levanta e salva-te, antes que tarde!
Responde o andarilho (mulambento perdido):
- Deus é mó viaaaaaaaaaaaaaaaaagem, aí!
PrOpRieDAdE PeNSaMeNTO
e seus latifundios.
Desafia-se o tempo,
Kilometros... em um minuto
O ano passado...alguns metros quadrados.
A minha hora
Curta Elegia
que a mão lambaia
Bahia :
Os sete erês cardeais
marcando as horas Parecis
e meus serões Desenredo ... Jussaras Pós .
Nazarés . Mandingas
malvas malsãs
xerém no arroto do Instante : céu de quases
me Existe
antifonária araci ,
meus desenredos - Homem .
Soneto Inglês N . 1
címbalo espelho Eterno .
Pendida a máquina do braço ,
meninos os homens todos .
Formas futuras sonham
no fundo de corpos - Mares_____
cio dança as marés ,
mulheres - Alga .
Acima de esferas virgens
deixo os contornos do Tempo .
Serei terraços no mundo
andante , de sete léguas
Depois trombetas e sóis
farão remanso - Amanhã .
hospital.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Calandre Black Out
iluminava o quarto
Abriram-se as cortinas,
senhoras da noite sem fim.
O fio do tempo
no traço do delineador.
No espelho
corpo inteiro.
Meia calça,
chemisier.
No ar, o perfume, era o ultimo sinal.
toc... toc toc..toc
os saltos..
ultrapassando
o tapete,
abandonavam com cadência
meu palco de menina.
Melopéia Kodac no 1
Vem não vem?
Vou não vou?
Coração desejo e sina:
Vai.
Recai caetano caetaneando no palco
tudo mais pura rotina
Saradinho, rebolandinho
dá um cheirinho no amigo:
Tocarei seu nome pra poder falar de amor
Depois do Veloso dar um alô de revés
para um músico da vez de trás;
depois de Djavan djavanendo devaneios
Art Nuveau da natureza;
O baiano dá um abano baianeante
para alguém de fora da banda
enquanto o alagoano ali é puro alumbramento
Jazz
Sorrisos dançam sem siso
A luz do grande prazer é irremediável néon
Tocam gostosas as gargantas,
e seus gogós galantes garantem
o grito de prazer
que irá
açoitar o ar.
Então Gil na platéia, achando a sua graça, gilberta em aplausos —
Tudo é festa:
Reveillon!
As cores e o instante
Talvez eu nunca tenha te dito
que escureço em música.
Ao escrever não posso me fabricar
como em uma pintura,
assim como se fabrica uma cor.
A desarmonia secreta das cores
são o luxo do meu silêncio;
e assim eu silencio,
de um modo que minha própria palavra
me contradiz.
Procuro a palavra última que,
assim como o primeiro passo,
é o último em direção ao intangível do real.
E se às vezes eu pinto palavras em cavernas
é para que elas se tornem a história do mundo.
Mas o instante acende e apaga,
como versos que surgem sem esforço
e sem motivo.
Nesta nova era das minhas palavras,
o que falo é todo o meu invento
concentrado em uma única confidência:
um astro que nomeia
a única forma de quantificar
tudo aquilo que é sentir
sem possuir.
